Adeus fralda cruel!

Tirar as fraldas…

Afinal, quando devemos começar? Será que minha criança já atingiu a maturidade para passar para uma nova fase? Uma amiga minha, certa vez, comparou essa experiência ao vestibular, afirmando que o tirar das fraldas representaria a mesma pressão para a criança, como o vestibular representa para o jovem. Pois bem, “vamos lá, filhinho, você com seus 2 anos, já está pronto para a nossa FUVEST?”

Dizem que menina tira fralda com mais facilidade que os meninos, e posso afirma pela minha experiência que o mito não é mito: meninos curtem fazer xixi na calça. Eu pergunto para ele:”quer fazer xixi”; “não”. Cinco minutos mais tarde:”quer fazer xixi?”: “não”. Cinco minutos depois: “quer fazer… xiiiiiiiiiiiii já fez”.

“Vou comprar cuequinhas novas. Quem sabe isso vai mudar essa dinâmica”, penso. Dirijo-me a um hipermercado, e acho dezenas de marcas diferentes. Agora a pergunta que nunca se cala é: por que todos esses fabricantes, de diferentes regiões e religiões, de diferentes ascendências, raças, culturas e signos acreditam que meninos de dois, três, quatro, cinco anos precisam de cuequinhas com carros potentes soltando fogo pelas rodas, caveiras com asas, etc. Meninas tem nas calcinhas borboletinhas, moranguinhos, carneirinhos… Por que eles crêem que meninos não podem gostar de frutas e animais? “Porque tem que ser espada!”, diria a voz do povo que por sua vez é a voz de Deus e dos fazedores de roupas íntimas infantis. Aí quem desanima tirar as fraldas do menino sou eu. É muito ruim ver caverinha cobrindo o pintinho daquele toco de gente.

Sem fabricantes que percebam melhor a natureza de um menino de dois anos, me rendo. Volto com as cuecas novas, visto no Vinicius e procuro não chamar atenção nenhuma para aquilo que deveria ser a grande motivação desse momento de transição da fase bebê para a fase criança. “Se ele fizer cocô agora, bem feito pra cueca!”.

O pior é como contralar os nervos quando você acabou de perguntar e ele resolve soltar aquele xixizinho alí, em cima do sofá, junto da sua almofada preferida… xixi esse que ele segurou durante duas horas. Qualquer site de comportamento infantil com opiniões especializadíssimas diz que não podemos nos estressar, pois uma bronca nessa hora pode fazer com que o trabalho de dois meses vá por água abaixo. Você pode estar explodindo de raiva do seu filhinho, mas sorria, diga docemente: “fez xixi …(suspiro para dar tempo de se acalmar). Danadinho… (você quer dar dez tapas na bundinha dele de uma vez, mas continue sorrindo)… tudo bem, dá próxima vez, você vai lembrar de me avisar, não é? (nesse momento, dá vontade de soltar um monte de frases com “senão” e deixar a chantagem resolver o problema. Mas aí você lembra do artigo da psicologa fulana de tal do site fulono de tal e respira fundo). No fim, você o troca, dá um beijinho e deixa que o tempo faça seu trabalho. Ele vai conseguir. Todos conseguem, ou você já viu um engenheiro usando pampers?

Ainda bem que o tempo esquentou. Com o calor o Vinicius fica peladinho direto e eu me sinto mais tranqüila. Se fizer xixi ou cocô, eu até fico em dúvida se é do Vinícius ou da cachorra. Mas o inesperado sempre espera ansioso pelos seus cinco minutos de fama. Quando você pensa que o máximo que acontece e ter que limpar um xixi no chão da cozinha ou um cocô no meio da sala, a Isis aparece na minha frente procurando um jeito de me contar alguma coisa: “Mãe, tenho que dizer uma coisa. Como eu vou dizer? É… Sabe o que é? É… o ‘pobema’ é que… O Vinícius fez cocô na minha cama”.

This entry was posted on Saturday, November 14th, 2009 at 02:11 and is filed under ser mãe. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

One Response to “Adeus fralda cruel!”

  1. dani Says:

    Ah amiga, só você para me fazer rir pois fico pensando se algum dia a minha filha sairá das fraldas pois dizem que não se faz essa transição quando estamos no meio de mudanças, pois a vida dela e a minha está em constante mudança, pelo menos nestes últimos meses…
    beijinhos

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