apresentação

rápido!, depressa!, corre! “ai meu Deus, vou me atrasar de novo!”; acordou, vou lá … acordou outra vez, vou lá… durmo… ele tá chorando mais uma vez, vou lá… o despertador…! “tô acabada, dormi 5 horas!”; hora de carinho; mordeu a irmã, momento do castigo; busca-leva, “nossa, que trânsito!”, deixo na escola, “droga, vou chegar atrasada no trabalho” ;  dia de pagar o seguro de saúde; o banco; salário da empregada; a febre e corre pro hospital; “xiiii tem que fazer jantar”; “ah, o supermercado!”; “tenho que fazer compras, o que eu vou cozinhar?” troco a fralda de um e o outro tem que fazer cocô; “puts subiu… perigo… caiu! bateu, machucou!” e chora, chora: “calma, já passou, deixa eu dar um beijinho“; “agora você também quer colo?!”; “mãe quero água“, respondo “já vou, espera“, telefone toca “alô, oi querida! já te ligo, tô dando banho nas crianças“; ¨mãe, ele me bateu“, “você também bateu nele…“; “mãe, quero pintar“; “mãe, quero ver filme“; “mãe quero vestido”; “mãe, xixi“; ”mããããeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!”
Às vezes essa palavra ecoa na minha cabeça como o som de um sino de latão, daqueles antigos, bem pesados, de um poder de alcance incrível, que é pro cristão não esquecer da missa. No meu caso, pra eu não esquecer que sou mãe. Então me sento e me pergunto: onde é que eu estava com a cabeça??? Mas não… não me arrependo de nada. Só que a pergunta não se cala: onde a mulher que é mãe encontra calma e privacidade quando se resolve assumir a maternidade com plenitude, responsabilidade e principalmente com qualidade?
Para conversar principalmente sobre isso, resolvi criar esse blog „mother and the city“. Espero assim compartilhar minha experiência com mães e pais (o segundo provavelmente menos) que passam por situações semelhantes às minhas, e principalmente para mostrar que não estamos sozinhas na nossa pequena solidão com os filhos no lar doce lar (ou sozinhos, nos talvez 0,000001% dos casos onde o pai assume todas as tarefas relacionadas à casa e às crianças).
Pretendo brincar um pouco de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) contando algumas histórias do cotidiano de uma mulher madura (sem mencionar a idade…quem sabe um dia), de classe média, numa cidade enorme como é a de São Paulo (New York seria mais chique, eu sei), profissional, que diferente da minha personagem inspiradora, não sai pra balada, não sai pra comprar sapatos, não paquera, não fala mais de sexo, e não anda sozinha na rua no meio da noite (a não ser às vezes para levar a cachorra para fazer xixi).
Tá tudo bem… Todos iremos sobreviver. A maternidade é linda! Amo meus filhos! São eles Vinicius de 1 ano e 11 meses e Isis de 3 anos e meio. Junto com meu marido, Solano, eles serão os protagonistas das minhas histórias. Aqui nesse espaço, pretendo também escrever sobre arte, o que provavelmente é só um anseio, utopia mesmo, pois não vai dar tempo. Afinal, demorou 3 meses pra eu achar uma brecha nesse meu dia-a-dia maluco para conseguir escrever essa apresentação.

This entry was posted on Wednesday, August 5th, 2009 at 04:06 and is filed under ser mãe. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

4 Responses to “apresentação”

  1. Bezinha Says:

    Nooossa! Até cansei!
    Sabe, às vezes sinto essa canseira, mas o que me cansa mais é o trabalho. Na semana passada, última das minhas férias, recebi uma hóspede super especial: minha afilhada de um ano e quatro meses, que ficou aqui em casa por três dias, enquanto minha prima (daquelas primas que estão mais para irmã mais nova do que prima, super querida!!) fazia sua mudança. Detalhe: Charlene de férias!! Bom, pra encurtar, aproveitei pra fazer o teste drive de como é ter dois filhos (nesse meu caso duas filhas) e mais a casa, a programação das férias, ciúmes, interesses completamente distintos, o excesso de mulheres numa casa só, o resto da família, o Camilo… e pra completar, no dia do aniversário dele levei um tombo e caí de bunda, isso mesmo, BUNDA e quase quebrei o cocxis (sei lá como se escreve isso). Tive uma baita lesão, daquelas de levar injeção de voltaren. Nunca fui dormir tão cedo, tão acabada e tão feliz. Enfim, tudo isso pra dizer que no domingo, véspera do final das minhas férias, lembrei que existia o meu trabalho. Meu parcos 15 dias acabaram valendo mais de mês, porque com tanta tarefa de mãe, madrinha e dona de casa, meu trabalho parecia que estava em outro Planeta. Sabe que foi bom, foi bom demais!!! Se pudesse eu trocava: dois dias no trabalho e cinco em casa. Realmente a maternidade é linda e todas iremos sobreviver! Só tá faltando mais perucadas.
    Adorei a ideia do blog e do título!!! Sorry se escrevi demais, mas não consegui resistir! Bj

  2. Helena Says:

    Bezinha querida,
    obrigada pela sua visita (diga-se de passagem, a primeira do meu blog. Parabéns!).
    Espero que sua bunda esteja melhor. Lesão já é ruim, na bunda então…
    Bem estar com crianças é uma delícia mesmo, principalmente quando são três dias. Por isso que a gente fala que ser tia é uma maravilha,porque a hora de devolver os sobrinhos também é ótima. Claro, ser mãe de dois, também é muiiiiiiiito bom, mas não tem devolução, nunca, nunquinha. Ainda bem, afinal escolhi ser mãe.
    Mas o problema é que no meu caso não tem nenhuma “emprestadinha”. Com a sogra longe, em outro continente (o que aliás eu acho bom), e mãe não tão longe assim, mas a 80km, as coisas ficam bem complicadas. Você vai pro supermercado, leva junto. Vai pro banco, leva junto. Vai pro mecânico, leva junto. Vai ao genecologista, e lá estão eles, em pé, ao lado da maca, observando a mãe com as pernas abertas e o doutor na frente fazendo o papanicolau. Imagine a cena: “mãe, o que você tá fazendo?”. Aí você pensa: “dou uma resposta científica pra minha filha de 3 anos, ou digo que estamos brincando de médico?”. É delicada a situação.
    Sem dúvida, umas perucadas a mais aliviariam muito as tensões do dia-a-dia. Estou com saudades!
    bj

  3. Sônia Says:

    Oi, filha,
    Achei wonderfull. Adorei. A idéia é ótima. E claro, acabei repensando minha própria experiência de mãe de dois, mais ou menos com as idades dos seus. Refiz meu trajeto lembrando que havia o agravante da ausência forçada do pai. E mais todas as tarefas que isso implicava (sustos, visitas semanais, leva comida, traz roupa, leva roupa, advogado, audência, julgamento, providências no Rio, julgamento final, enfim…), mais tudo isso que você mencionou, fraldas (de pano, que tinham que ser lavadas no dia), comida, etc, etc., que você já sabe.
    Mas, como você vê, sobrevivi, e muito bem. Uma hora, você vê que eles crescem. Aí é só a cabeça que trabalha e o corpo já pode descansar um pouco mais
    Depois, vem a recompensa máxima: os netos, lindinhos, que vêm com dia marcado para retornar à casa, como os sobrinhos. Mas que nos dão as maiores alegrias deste mundo.
    Um beijo.
    Sônia

    .

  4. Helena Says:

    Mãe querida,
    você é que é wonderfull, aliás mais que isso, você é motherfull.
    Eu até consigo imaginar como foi difícil pra você aquela época. Época de luta, de incertezas,medos, e de esperaça: aquela que o papai voltasse bem e logo pra casa.
    Mãe, OBRIGADA. Poderia fazer uma lista enorme do “por que agradecer mamãe”. Como não tenho tempo, escreverei aqueles motivos que considero mais importantes.
    Primeiramente, sendo a segunda filha, agradeço pela coragem de vocês terem encarado a segunda cria. Digo vocês, por você não ter feito isso sozinha. Nós mulheres/mães somos TUDO, menos hemafroditas. Pelo menos assim os homens participam um pouco mais da criação (literalmente), ainda que seja com o “paraíso” e não “o padecer”.
    Segundo, por você ter me tido de parto normal. Isso já representou um ótimo começo.
    Terceiro, por você ter agüentado as briguinhas chatíssimas dos filhos. Isso é muito desagradável (ainda vou escrever um texto só sobre isso). Estou tendo que aprender como agir em relação aos conflitos gerados na luta pelo poder. O poder de encher o saco, o poder bater no outro, o poder de achar que pode quando não pode. Acho que você soube bem como e quando intervir nas minhas brigas com o Lu. Entre mortos e feridos conseguimos sair disso com todos os membros do corpo. Quarto, por você ter sido paciente comigo na minha adolescência (sem grandes comentários, afinal ser mãe de adolescente ninguém merece). Quinto, por você ter sabido compreender que eu precisava ir embora quando chegou minha hora de voar. Fiz que nem a andorinha, fui buscar outro verão… E eu não voei pra perto, atravessei o oceano e fui parar na Alemanha. E lá não passei um, mas oito verões. (Se a Isis fizer isso comigo, eu vou esquecer que ela é minha filha, mãe bem rancorosa mesmo!). Sexto, por você ser essa avó deliciosa que você é!!! Eles te adoram! É bom poder emprestar pra você os dois, mesmo que seja com pouca freqüencia.
    E sétimo, oitavo, nono e décimo e décimo primeiro, segundo, terceiro …. e assim vai, por você ser essa minha mãe querida (não só nossa, mas do papai também) e não podia ser melhor!
    Mãe te amo! (final emocionado)

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